Vencendo o fracasso e a humilhação: o exemplo de Ana

Então orou Ana, e disse: O meu coração exulta ao SENHOR, o meu poder está exaltado no SENHOR; a minha boca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação” – 1 Samuel 2:1

 

Por Fábio Cavalcante*

Muitas vezes nos encontramos em situação deplorável, sem ter forças para vencer. É aí que temos que tomar uma atitude, rejeitando o rótulo de 'fracassado'

Todo mundo, com certeza, tem um sonho a ser realizado. Principalmente em dias como os de hoje, em que o capitalismo força com que a humanidade lute e persevere em favor do dinheiro. Daí surgem sonhos de consumos, cada um mais peculiar que o outro. Uns querem ser ricos, milionários, um artista famoso. Outros só querem uma casa, fugir do aluguel. Outros só querem o fim das dívidas. Mas a questão é: todos nós queremos alguma coisa.

Tal mundo capitalista traça paralelos, dois lados de uma moeda. De um lado está os que se dão bem, que conquistam tudo o que querem (muitas vezes sem luta). Os que têm vida fácil, com dinheiro, carrões, mimos de todos os tipos. Mas do outro lado, há aqueles que não são tão sucedidos assim. Que perseveram ano após ano por uma vida melhor e nunca conseguem sair do lugar. Estão atolados em dívidas, um turbilhão de despesas. Casa própria é algo raro. Carro, só se for das antigas, que faz mais visitas ao mecânico que seu dono faz ao médico.

E essas pessoas, que vivem nesse lado ‘sombrio’, tornam-se, muitas vezes, desesperadas, amarguradas, sem esperanças. Se acham as pessoas mais derrotadas do universo, pelo fato de não possuírem nenhuma perspectiva de vida. E o sonho de passar para o “outro lado” é cada vez mais distante.

A Bíblia apresenta vários exemplos de pessoas que estavam em situações deploráveis, com as características que citamos acima. Mas uma delas, de certa forma, é bem peculiar e sua história é digna de uma análise minuciosa. Estamos falando de Ana, esposa de Elcana, que viviam em uma cidade chamada Ramataim-Zofim, na tribo de Efraim.

Ana tinha um problema (um grande problema naquela época). Ela não tinha filhos. E não era por opção: ela era estéril. De acordo com historiadores, naquela época, a mulher que não pudesse gerar filhos era considerada uma mulher fracassada e digna de descrédito. O marido, inclusive, tinha o direito de mandá-la embora de casa por conta disso. Entretanto, de acordo com I Samuel 1, Elcana amava Ana de tão forma que permaneceu com ela, mesmo também sendo casado com outra mulher, Penina, que deu filhos ao marido.

Aí surge um fenômeno interessante, ainda bastante em voga nos nossos dias. Penina agia de forma sarcástica e, por que não, sádica em relação à sua rival, Ana. Pelo fato de não ter filhos, Ana era bastante desprezada e humilhada por Penina. Não é muito diferente em nossos dias, quando há pessoas com uma condição melhor que a nossa e, por conta disso, passam a zombar de nós, como se nunca fôssemos sair de nossa condição.

Pois bem, a rivalidade e, principalmente a humilhação sofrida, fez com que Ana perseverasse e alcançasse seus objetivos. E o objetivo dela era ter um filho. Para isso, Ana estava disposta a qualquer coisa. Inclusive ‘barganhar’ com Deus, por assim dizer. E, como todos sabem, ela gerou a Samuel, um dos maiores profetas da Bíblia, sendo responsável por ungir como rei a Davi, um dos maiores monarcas da história. Ou seja, Ana saiu de uma situação desprezível e foi colocada em posição de destaque, no ponto mais alto do ‘pódio’. Para isso, ela seguiu quatro passos, que gostaríamos de compartilhar com você aqui, pois servem de exemplo para nós, que almejamos alcançar nossos objetivos e sonhos:

01 – Ana tomou uma atitude (I Sam 1:9)

Para sair de sua situação desprezível, deplorável e humilhante, Ana primeiramente “se levantou”. Ou seja, tomou uma atitude. Nos encontramos caídos, perdidos, jogados ao chão como se fôssemos as piores pessoas do mundo. Estar no chão, em situação de derrota, só valida o que nossos adversários dizem de nós. E para mudar esse paradigma, devemos se levantar, ficar de pé. Derrota não faz parte da característica dos filhos de Deus. Podemos ser atirados ao chão, mas nunca devemos permanecer lá. E Ana tomou isso como lei. Não queria mais ficar bancando a ‘coitadinha’, a ‘Maria das dores’. Queria acabar de vez com toda aquele desprezo. Ao se levantar e seguir em direção ao templo, Ana estava dizendo “Basta!”. E é o que devemos fazer, quando as coisas não vão bem. Atitude vale muito e esta é a principal arma para alcançarmos o que desejamos.

02 – Ana entregou sua causa a Deus (I Sam 1:10)

Entregar nossas petições a Deus tem mais garantia se tentarmos resolver as coisas com a 'força de nosso braço'

Não basta apenas se levantar e querer encarar as coisas à nossa maneira, com a força de nosso ‘braço’, aleatoriamente. Precisamos de forças. E não há coisa melhor para buscar o fortalecimento, se não for em oração. Entregar nossa causa ao Senhor é a melhor forma para alcançarmos uma dádiva. Ana humilhou-se, reconhecendo sua insignificância diante de Deus, entregando a ele sua causa, para que Ele agisse em seu favor. E a situação de Ana não poderia ser resolvida de forma assim, tão simples. Sendo estéril, não havia mandrágora que lhe permitisse ter filhos (Gen 30:14). Aquilo, somente Deus, em sua infinita grandeza e sabedoria, poderia resolver. Sua causa parece difícil? Você possui uma dívida altíssima e não tem como pagar? Vai mal na faculdade e não tem como terminar um trabalho? Seu marido é um tremendo chato, grosseiro e ignorante, e não há qualquer sombra de mudança? Deus pode resolver, pois para ele, não há impossível.

 

03 – Ana firmou um compromisso com Deus (I Sam 1:11)

Como dizemos anteriormente, para conseguir o que queria, Ana estava disposta a qualquer coisa. Mas ela procurou a melhor forma: firmou um compromisso com o Senhor. Ela declarou que, se realizasse o sonho de ser mãe, aquele filho seria consagrado totalmente ao Senhor. E a palavra ‘consagrar’, significa ‘tornar sagrado’, ‘dedicar algo a Deus’. Imaginem: nem que segurasse seu filho em seus braços por poucos anos e depois lhe entregasse a Deus, Ana só queria ser mãe. Não queria mais ser desprezada, chamada de fraca e de ‘coitadinha’. Queria era estar em posição de destaque. Não é preciso você fazer o mesmo tipo de voto. Há pessoas, por exemplo, que estão desempregadas, e fazem o seguinte voto: Senhor, se eu conseguir um emprego, meu primeiro salário será para tua casa. Na hora de cumprir com aquilo, a ‘barra pesa’, e a pessoa fica tentada a não cumprir com o que disse. É melhor não ter feito voto algum (Ec 5:5). Mas o que queremos dizer aqui é o seguinte: temos que ter uma atitude de fé e permanecer fiel ao Senhor. Este é o voto que devemos fazer. É o compromisso que devemos firmar. Não é somente “barganhar com Deus”. Temos que perserverar em oração, estar na Casa de Deus, cumprir com o que manda sua Palavra. Temos que fazer por merecer.

04 – Devemos adorar ao Senhor, mesmo quando a bênção não vem (I Sam 1:19)   

Mesmo diante e durante as dificuldades, devemos nos alegrar e render graças ao Senhor Deus

A questão é a seguinte: Depois de conversar com o sacerdote Eli (que no início lhe achou uma louca), ter se humilhado na presença de Deus, ter firmado um compromisso com o Senhor, por acaso, Ana voltou para sua casa com um filho nos braços? Não. Mas mesmo assim, Ana adorou ao Senhor. Mostrou-se confiante em Suas promessas e rendeu-lhe graças, pois tinha fé de que seu sonho se realizaria. Muitas vezes nós só buscamos a Deus quando precisamos e depois que alcançamos a Graça, abandonamos a Deus. Temos que se alegrar sempre. Temos que louvar a Deus sempre. Temos que ter a noção de que a benção não é mais importante que o abençoador. Temos que louvar a Deus, pois ele é o Senhor. Não porque ele nos concede isso ou aquilo. O amor a Deus deve ser incondicional, mesmo que as bênçãos não cheguem até nós (Hc 3: 17,18).

Queridos, se seguirmos estes passos, a exemplo de Ana, temos certeza que as chances de um sonho nosso se realizar será maior se ficarmos apenas parados, se lamentando ou chorando. Somos frágeis, pois somos humanos. E o fracasso acaba com as estruturas emocionais de qualquer um. Pois bem, seremos mais fracos, doentes e debilitados, se permanecemos na condição em que estamos. Temos que perseverar, lutar, não aceitar a condição de derrotado. Temos que lutar e vencer. Claro que não vamos conseguir isso sozinhos, da noite para o dia. É por isso que temos que confiar em Deus, para que ele resolva e lute também em nosso favor. Tenho certeza que, nossa benção pode demorar a chegar, mas logo iremos festejar quando ela surgir em nossas vidas.

Se sentirmos que estamos no fundo do poço, temos que nos alegrar mesmo assim. Pois não há mais para onde cair. O único caminho é subir, subir e subir….

 

Que Deus abençoe a todos!

 

* Fábio Cavalcante é jornalista e diretor-geral do Universo Gospel Comunicações. E-mails: fabio.cbv@hotmail.com, fabiocavalcantebv@yahoo.com.br.   

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