PC Siqueira, intolerância e a Cristofobia

PC Siqueira: piada sarcástica sobre igrejas gerou furor de cristãos do país

“Não respondas ao tolo segundo sua estultícia, para que não te faças semelhante a ele” (Proverbios 26:4)

Tento compreender o furor por parte de muitos cristãos quando sua fé é posta à prova ou quando suas doutrinas e atos religiosos são colocados contra a parede. Muitos perdem as estribeiras, tremem feito vara verde e dificilmente conseguem defendê-la da forma que é conveniente. E para isso, leia-se “tentar convencer o outro” de que sua fé é forte e inabalável.

Tenho percebido o avanço do pensamento racionalista mais do que no período em que ele surgiu, com os iluministas do século 17. Obviamente não vivi nessa época, mas pelos livros e, considerando que na época não havia internet, hoje a coisa está muito mais escabrosa em se tratando de perseverar e lutar por sua crença. Há muitos ataques à fé das pessoas, sejam elas católicas ou evangélicas (curiosamente, ninguém ataca os hinduístas, os espíritas, o povo das matrizes afrodescendentes, etc.).

Mas, sendo mais objetivo, um episódio ocorrido por esses dias me fez raciocinar a respeito do que chamamos de “Cristofobia”. Etimologicamente, a palavra representaria o medo ou aversão a Cristo, ou Jesus. Mas pode se aplicar aos seus seguidores, os cristãos. E quando falo ‘cristãos’, estou mesmo falando dos seguidores reais seguidores de Jesus, sem especificar se é católico ou evangélico (para mim, essas definições não são aplicáveis. Mas explico melhor em outra ocasião).

A Cristofobia é crescente. Ateus, agnósticos, seguidores de filosofias socráticas e herdeiros de Locke, Voltaire e outros são os responsáveis por propagá-las. Eles estão por toda a parte, seja na mídia, nas academias e agora nas redes sociais. São organizados, preparados para refutar qualquer argumento fraco ou sem profundidade por parte dos cristãos. Desculpem-me, mas tenho que elogiar a desenvoltura dos cristofóbicos.

Igreja pichada no Paraná, incidente que gerou todo um escarcéu por parte dos cristãos

O episódio a que me referi anteriormente envolveu o ‘vlogger’ PC Siqueira, um nerd sem noção e que volta e meia consegue arrancar risadas de seu público através de piadas sarcásticas, quase sempre quando ridiculariza alguém ou alguma coisa. O alvo da vez foram as igrejas. Em seu programa na MTV, o apresentador ironizou uma notícia, em que uma igreja católica do Paraná fora pichada por um grupo de ‘cristofóbicos’ (será que não?). Ele então conclamou (de forma ‘irônica’) que enviassem fotos a ele de outros templos que fossem pichados que ele mostraria no programa.

A reação foi imediata. Blogueiros, pastores e até o deputado Marco Feliciano se levantaram para dar um basta na ‘brincadeira sem-graça’ do ‘MasPoxaVida’ (codinome de Siqueira no Youtube). Houve até ameaça de processo, de retirar o tal programa do ar e tudo mais. Um verdadeiro escarcéu. Claro, PC Siqueira afirmou que vai se retratar, dizendo que foi só uma piada sarcástica e que não é fã de pichação coisa nenhuma.

Queridos, vejo toda essa reação enquadrada no provérbio assinalado acima. Fazer toda essa zorra por que nossa fé foi execrada é provar a essas pessoas que somos perfeitos tolos, pois estamos fazendo-se iguais a eles de fato. Jesus já ensinava sobre como tratar nossos adversários. É claro que nossos direitos devem ser defendidos. Respeito é fundamental. Mas, se alguém pichar a minha igreja, quem tem que ser denunciado são os autores da pichação, não o idiota que lhes inspirou. E é perda de templo tentar argumentar com idiotas.

O que quero dizer é que, se sua fé está sendo provada, faça isso valer a pena. Estude, leia, prepare-se. Tem gente que torce o nariz quando falam de sua denominação, mas o cidadão nem ao menos se dá ao luxo de estudar a história na Bíblia, quem foi esse ou aquele personagem, o que disse aquele apóstolo e qual foram os milagres de Jesus. São pessoas que simplesmente vão a igreja, se divertem com os irmãos e depois vão embora assistir o restinho da novela em casa.

Combater a Cristofobia não se faz apenas com birra. Se faz com oração, com leitura das Escrituras, com perseverança e fé. Sou partidário da luta por nossos direitos como cristãos, considerando que vivemos em um país livre e democrático (sendo que essas prerrogativas podem estar com os dias contados). Sou totalmente favorável à luta da bancada evangélica e da Frente da Família no Congresso Nacional, mas é irritante quando eles usam a tribuna para falar bobagens, coisas sem sentido e defender algo fora da realidade bíblica.

Os cristãos nunca tiveram tanta força como agora. Temos espaços na mídia, temos páginas e grupos nas redes sociais. Há milhões de blogueiros cristãos espalhados pelo mundo inteiro. Mas qual é a nossa imagem que deixamos passar? Polêmicas, escândalos, teologias furadas e sem sentido, ênfase ferrenha em dízimos e ofertas e outros tantos. Que moral teremos mediante a tanta coisa bizarra sendo veiculada na mídia?

Não deixemos de lutar. Mas, acima de tudo, saibamos pelo que lutar. Não vamos fazer estardalhaço por qualquer bobagem. Não vamos mover ações e processos por coisas fúteis e sem sentido. Temos que lutar pelo que é certo, pelo que é legítimo, mostrar à sociedade que somos o que somos porque sabemos pelo que lutamos e que lutamos pelo que cremos. Vamos sim, continuar a exigir respeito. Mas acima de tudo, vamos nos fazer respeitáveis em meio à esta sociedade insana e cristofóbica. Que Deus abençoe a todos!

Por Fábio Cavalcante*

* Jornalista (DRT 335/RR) e diretor-geral do Universo Gospel Comunicações. Siga-lhe no Twitter: @Fabiocbv

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Uma opinião sobre “PC Siqueira, intolerância e a Cristofobia”

  1. Temo que essa nova geração de “cristãos” não estarão preparados durante muito tempo para defender sua fé. Infelizmente, pois não por eles, mas por seus líderes, que só ensinam o feijão-com-arroz, o leite, mais especificamente, querem empurrar um evangelho falso, criado para usurpar a fé e encucar uma prosperidade fácil, um milagre irreal e uma igreja fora dos padrões bíblicos. Por isso há esse furor e não amor ao defender a fé, melhor, defendem mesmo a sua denominação, pois se defendessem Jesus e sua doutrina, não o fariam com furor e sim com amor, amor ao próximo. Não é?

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