CORONELISMO PASTORAL – De ungidos a senhores de pessoas

Sem enrolação e ‘nariz de cera’, vamos direto ao ponto. Não se pode mais falar, de forma crítica, de pastores e líderes eclesiásticos. São intocáveis, fazem-se de ‘vítimas’ e sempre tem uma gama de admiradores ou seguidores pronto a defendê-los como se fossem ‘semi-deuses’ e infalíveis. Chega até ser engraçado.

É de incomodar o fato de que pessoas esclarecidas (ou que deveriam ser) ainda pensem dessa forma. Pastores são pessoas como qualquer outra, sujeitos a todo tipo de falha. Mas, para essa ‘gente’, não. Pastores são divinos. E, com todo esse ‘poder’ nas mãos, é natural que os mesmos sintam-se como verdadeiros donos das almas e das mentes dos fiéis. Agem como perfeitos coronéis.

Não vamos generalizar aqui, considerando que há ainda muitos pastores que levam a sério a sua missão na terra, agindo como servos e não como senhores. Mas muitos desses líderes perderam as estribeiras e resolveram que podem sim controlar a vida de quem está na igreja.

Pastores ditam as normas de vida de seus fiéis. Envolvem-se na educação dos filhos, dão palpite sobre a vida sexual dos casais e ainda querem saber o que a irmãzinha vai servir no jantar. Preocupação com o bem-estar dos fiéis? Não exatamente. Querem é ter influencia para, a cada aniversário, a igreja ter que lhe dar o ‘tributo’, fruto do suado esforço de cada irmão.

 Agora, pastores resolveram controlar a cidadania dos fiéis. Sim, estou falando de política mesmo! Que coisa feia saber que membros dessa ou daquela igreja são obrigados a votar no candidato que o pastor indicou! É a versão eclesiástica do “voto de cabresto”. Cidadania cristã? Acho que não!

Não adianta se usar o “não tocai em meus ungidos” como se fosse um escudo. E isso não se trata apenas de uma visão exclusivista de um texto bíblico. “Ungido” não é apenas o pastor. É todo aquele que Deus escolheu a fim de realizar uma determinada missão. “Ungido” pode ser o pastor, o porteiro, a líder do grupo infantil, a irmã que lava as louças e qualquer outra pessoa da igreja.

Mas os pastores tomaram isso para si e agora acham que podem fazer o que bem entenderem, sem serem passíveis de críticas. Não é por aí. Enquanto estivermos nesta terra, estando sujeitos a todo tipo de falha, estamos sujeitos a também ouvir o que não queremos. E isso vai surgir de dentro da igreja ou de fora. Ninguém está isento disso.

Pastores, vocês são guias das pessoas. Não os donos delas!  

 

Fábio Cavalcante – @Fabiocbv

Jornalista e diretor-geral do Universo Gospel Comunicações

 

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2 comentários em “CORONELISMO PASTORAL – De ungidos a senhores de pessoas”

  1. Que forma eficiente de abranger esse tipo de assunto! Amei o texto e espero que possamos compartilhar nossas experiências aqui no WordPress.com! Até mais!

  2. Boa tarde Fábio, é bom lembrar que a passagem que os “Ungidões de Jesus” gostam de usar é aquela que se refere a Saul (1Samuel 26.9 entre outras). A unção naquele contexto, referia-se aos reis que eram ungidos por ocasião de sua ascensão ao trono.
    Bem quanto ao assunto, vejo que algumas pessoas se dizem libertas mas no fundo, no fundo são escravas dos homens, é uma pena.

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