Crença: um direito de todos!

Imagens como esta são desnecessparias do ponto de vista evangelístico, pois produzem preconceito, discriminação religiosa e reafirmam um caráter que não é cristão.

Eu me orgulho muito de poder viver em um país democrático. Sim. Poder professar a minha crença livremente, sem temer represálias é algo digno de festa. Considere que muitos países (dominados por governos totalitários ou teocracias doentias) não oferecem essa possibilidade aos seus. Por essa razão, todos podem, de fato, honrar sua liberdade de poder dizer o que pensa e acreditar naquilo que julgar importante ou relevante.

O Brasil é plural, em termos de cultura. De religião, nem se fala. E, para que fique bem claro, nosso país não é dominado exclusivamente por católicos. Muito menos por evangélicos. Tudo bem que ambas as vertentes enfrentam-se a fim de ser absoluta em toda a nação. Mas não é por aí. É preciso observar que há milhares de pessoas que professam outras formas de encarar divindades e que devem ser respeitadas por isso. As que não acreditam em coisa alguma também.

Uma imagem (dessas que são compartilhadas à exaustão na rede social Facebook) me chamou muito à atenção. Nela, duas fotos que mostram os principais representantes da épica batalha do Bem contra o Mal: Jesus e Satanás. E a frase no alto dizia: “Quem é o seu Salvador?”. Se for Jesus, a pessoa deveria compartilhar. Se for Satanás, apenas olhar. Parece coisa simples ou boba. Mas tal imagem representa uma forma exótica de proselitismo. Para não dizer um sentimento totalitário de religião.

O artigo 5º, parágrafo VI, diz o seguinte: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” (grifo nosso). É lei. Ou seja, qualquer pessoa pode expressar sua opinião e sua crença religiosa, seja ela católica, evangélica, espírita, umbandista e, porque não, aqueles que adoram o Diabo.

Pode parecer estranho, mas é a realidade. Existem muitos grupos espalhados pelo país e pelo mundo que professam a crença em Satanás e assim cultuam-lhe. Podemos não concordar com isso. Podemos ficar de cabelo em pé ao saber que há um templo satanista ao lado de casa. Mas a crença deles é regida pela Constituição Federal. Assim, fazer uma imagem como esta que foi citada no início, demonstra discriminação. Se algum grupo ligado a esta determinada crença sentir-se ofendida e quiser acionar a Justiça, é bem provável um ganho de causa.

E já rolaram outras imagens parecidas pelo Facebook. Em uma delas, a figura nefasta do Diabo, com direito a tridente, chifres e fogo por todo lado, tinha como legenda: “Se você odeia ele, compartilhe!”. Quero dizer que não sou satanista, nem estou defendendo ou fazendo apologia a esta religião. Mas, sejamos empáticos. Se fosse a imagem de Jesus no lugar, com a mesma legenda, como os cristãos se portariam? Iriam fazer o maior escarcéu, protestar e rogar todas as pragas do Egito sobre quem postou tamanha bobagem. Além disso, o cristão verdadeiro não precisa fazer uso de imagens como essas para mostrar o que acredita. E se assim for, não é preciso denegrir a religião alheia em favor da sua.

Queridos, se queremos ser respeitados por aquilo que acreditamos, temos que primeiro aprender a respeitar o que o próximo acredita. A Igreja, seja ela evangélica ou católica, ainda tem muito que aprender sobre fazer a diferença em meio à uma sociedade pluralista em termos de religião. O budista deve ser respeitado, assim como o espírita, o umbandista, o xintoísta, o satanista e todos aqueles que acreditam ou não acreditam em alguma coisa sobrenatural.

A Bíblia nos ensina a não tolerar certas práticas, inclusive em aceitar certas doutrinas estranhas (2 João 7-11). Acontece que, acima de tudo isso, Jesus ensinou a amar o próximo. E amar também é respeitar, aceitar as diferenças e buscar um bom relacionamento com as pessoas. É esta atitude que faz toda a diferença.  Cristo sentou-se com os pecadores e congratulou-se com eles, sem os rejeitar.

Todos somos livres para expressar a nossa fé, da forma que quisermos. Aceite isso e seja feliz!

Por Fábio Cavalcante@Fabiocbv

Jornalista e diretor-geral do grupo Universo Gospel Comunicações. E-mail: fabio.cbv@hotmail.com

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Uma opinião sobre “Crença: um direito de todos!”

  1. Louvado seja Deus por termos a liberdade realmente de falarmos do nosso Criador de todo o nosso coração e sentimento. Mas sabendo que por sua palavra um dia seremos, tambem perseguidos por amar e adorar ao nosso Deus. Mas enquanto, temos essa liberdade, boa coisa é aproveitarmos, para encher a botija. Nosso coração da boa palavra.
    Um abraço e que Deus vos abençoe.

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