Acerca da discórdia entre a igreja evangélica brasileira e o movimento LGBT

HomofobiaO Brasil é hoje um paraíso da liberdade de expressão, a ponto de veículos de comunicação por vezes reportarem notícias caluniosas sem estarem sujeitos a praticamente nenhum tipo de regulação ou penalidade. Entretanto, apesar de todos os direitos garantidos constitucionalmente, vivemos em tempos conturbados, de modo que professar a própria crença está às portas de ser considerado discriminação. Refiro-me à polêmica reinante entre religiosos, especialmente evangélicos em sua miscelânea, e representantes do movimento LGBT, que daqui a pouco terá o alfabeto inteiro na sigla.

Por motivos óbvios, irei reportar-me daqui em diante aos evangélicos, entre os quais, há tempos, sinto-me constrangido em enquadrar-me. Mas não é sobre minhas frustrações que quero falar neste momento. Meu intuito é fazer com que alguns, os que lerem este artigo, possam refletir a respeito de seu posicionamento quanto à questão da homossexualidade.

Embora se apregoe que não se rejeita o pecador, mas o pecado, lamentavelmente o que se percebe é um posicionamento de total repúdio aos principais militantes do movimento LGBT. O comportamento de alguns evangélicos, incitados em parte pela postura de pastores midiáticos, faz lembrar os piores exemplos já vistos de intolerância, como se estivéssemos em uma guerra santa. Uma passada rápida em alguns blogs ou páginas do Facebook é suficiente para perceber a tensão reinante, o clima de (quase?) ódio aos porta-vozes gays e, por que não, o fundamentalismo religioso que impede alguns de sequer ouvirem outra proposta de posicionamento menos agressivo.

Supostas declarações de membros notórios do movimento LGBT circulam a torto e a direito em blogs religiosos sem a preocupação da veracidade da informação passada. Qualquer palavra mais afrontosa vinda do outro lado passou a ser tomada por evangélicos como a mais impetuosa ofensa. Em alguns casos, a palavra de ordem é: “querem briga, então vão ter briga”! Mas por que tanta voracidade em revidar insultos e provocações?

A grande verdade é que nós, evangélicos, nos tornamos hipócritas melindrosos. Ao invés de somente apregoarmos a verdade com maior força, respondemos com outra ofensa. Em vez de amarmos os que nos perseguem, odiamos com igual intensidade. Paramos de fazer a diferença a partir do momento que passamos a lutar com as mesmas armas de nossos caluniadores, pois também passamos a caluniar, perseguir e repudiar pessoas e não seus atos. Dizemos que Jesus é nosso rei, mas fazemos vista grossa a tantos de seus conselhos, como os presentes no texto abaixo:

“Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam”. Lucas 6:27-28

Essa não é uma batalha que se ganha pela força, “porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef 6:12), mas pelo amor, que se traduz em respeito, tolerância, paciência para com o próximo, mesmo que ele discorde de nossas afirmações e crença. Afinal, de que adianta vencermos uma batalha se não tivermos amor (1Co 13)?

Além de tudo isso, não podemos esquecer que Deus está no controle e não precisa ser defendido. Ao contrário, ele defende sua Igreja. O próprio Cristo afirmou que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mat 16:18).

Por isso, meu irmão, peço a você que seja uma pedrinha na construção de uma Igreja mais amorosa, misericordiosa e perdoara, que abrace os pecadores e lhes mostre que Cristo é para todos, inclusive homossexuais.

Não advogo a favor do pecado, mas do pecador. Preguemos a verdade do Evangelho e deixemos que Cristo faça a obra. Se as pedras vierem, e virão, nós as suportaremos, mas sem atirá-las de volta. Amém!

Por Renato César – Cristão reformado, formado em administração de empresas e teologia, membro da IPB – Fortaleza/CE. E-mail: renatocesarmg@hotmail.com

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Uma consideração sobre “Acerca da discórdia entre a igreja evangélica brasileira e o movimento LGBT”

  1. Ótimo texto, descreve exatamente o que sempre pensei sobre toda essa briga entre cristãos e os que são contra os direitos da família e princípios bíblicos, sou evangélico mas sou contrario ao bate boca, o que deve ser feito é pregar a palavra e o resto deixa com o “Espirito Santo de Deus”

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