Corpos cativos, almas libertas

cristãos-presosO drama vivido por Merian Ibrahim, sudanesa condenada por apostasia de acordo com os códigos islâmicos, vem se tornando tema para comoção mundial. Os governos, sobretudo dos Estados Unidos, e organizações a favor dos direitos humanos, têm se mobilizado bastante para que pessoas como ela não tenham um fim trágico promovido pelo radicalismo muçulmano. Mas além disso, o caso sempre nos traz reflexão: vale a pena ser cristão mesmo em um país cuja essa mesma fé é ameaçada?

A ong Missão Portas Abertas por anos tem informado ao mundo e as igrejas sobre a situação crítica vivida pelos cristãos em lugares onde essa fé não é permitida. E os relatos sobre prisões, torturas e mortes são constantes. Países de maioria muçulmana, hinduísta, budista, entre outras religiões, tem tolerância mínima ao Cristianismo. Mesmo assim, o trabalho missionário não diminui nesses lugares.

Merian é uma entre milhões de cristãos que são perseguidos pela intolerância religiosa desses países. Seu caso se tornou notório devido à gravidez dela durante a prisão, que ainda assim, se dependesse do governo sudanês, não evitaria que ela fosse morta a pedradas ou a 100 chibatadas. Mas note-se que há milhares de mulheres que são submetidas a estes martírios por simplesmente se casarem com um cristão ou abandonarem a fé islâmica.

Todos acompanharam também os casos de Youcef Nadarkhani, condenado à forca no Irã, e Saeed Abedini, preso no mesmo país e ambos pelo mesmo “crime”: ter abraçado a fé cristã. O primeiro conseguiu a liberdade, mas o segundo ainda amarga em uma prisão. E há muitos Youcefs e Saeeds espalhados pelas nações fechadas ao Evangelho.

O nosso questionamento é: as igrejas ainda devem enviar missionários para estes lugares, correndo o risco de serem torturados e mortos, inclusive junto à família? Eu digo: sim. Jesus não se negou em se sacrificar em favor de nós, uma vez que ele próprio era ameaçado constantemente por sua pregação. Na era apostólica, muitos sofreram perseguições ao chegarem a lugares onde o racionalismo começava a ganhar forças. Sem contar que o evangelho chegou até nós devido ao trabalho destes.

É difícil compreender o porquê de Deus requerer esse tipo de sacrifício de seus filhos. Nunca vamos entender, talvez. O que podemos dizer é que Ele está no controle de tudo. Cada missionário que sofre é um ganho para o Reino, como Paulo mesmo se portava (Fl 2.21). Seus corpos podem estar presos, mas a alma está liberta. Seus corpos podem ser afligidos, mas seu espírito ninguém toca.

O que a igreja que vive longe dessa realidade, mas que faze uso do conforto que a tecnologia proporciona, deveria fazer ante uma situação drástica como esta vivida por irmãos e irmãs em países fechados ao Evangelho? Orar. Bastante. É o mínimo que um cristão descente deveria fazer em favor dessas pobres vidas que se perdem por amor a Cristo.

Por Fábio Cavalcante – jornalista, editor do portal Universo Gospel e diretor-geral do grupo Universo Gospel Comunicações. Assina a coluna “Note-se!” disponível aqui. E-mail: fabio.cbv@hotmail.com.

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