O mimetismo e o mundo gospel

Mimetismo 'Fail'...é assim no mundo Gospel
Mimetismo ‘Fail’…é assim no mundo Gospel

A natureza nos apresenta situações incríveis que muitas vezes podem ser observadas na própria postura do ser humano em interagir com seu meio. Um desses fenômenos é o mimetismo que, basicamente, é uma característica de alguns animais e plantas em se confundir ao ambiente em que se encontra ou com outras espécies. É um ato que estes seres encontram para escaparem de seus predadores.

Do grego “mimetés“, a palavra significa imitação e era aplicada até o início do século XIX somente a pessoas, passando então a designar outros elementos da biologia. Em outras palavras, o mimetismo é simplesmente o ato de imitar algo (Não confundir, claro, com a mímica, que é a arte de expressar sentimentos através de gestos, sem uso de voz).

O mimetismo também pode ser observado nesse fantástico mundo chamado gospel. Um fenômeno incrível em que muitos confundem-se com os demais de seu meio ou com uma figura em especial a quem lhe é dada total crédito e honrarias exacerbadas qual a um deus. A imitação é a arte fundamental presente nas igrejas evangélicas e podem ser observadas em todos os campos: na música, nas danças, nas pregações. Até no entretenimento.

Crentes mimetistas, normalmente, não possuem identidade própria. Por essa razão, precisam se focar em um elemento em particular para viverem em função deles. Um comportamento meio parasitário, mas não é bem assim. Existe a necessidade extrema de se imitar o outro, pois o mimetista não tem, ou acha que não tem, capacidade suficiente de superar seus limites e fazer melhor.

Prova disso são as diversas músicas que o mercado fonográfico ‘gospel’ nos apresenta. Os mesmos acordes, a mesma construção harmônica. As mesmas letras e palavras de ‘efeito’. E isso não se restringe apenas a um único segmento. O mimetismo está lá no ‘pop pentecostal’, no sertanejo gospel ‘universitário’, no rock. Na ‘adoração extravagante’, nem se fala, pois o estilo já é sinônimo de imitação. E de repetições ultra-mega-blaster-exageradas (aliás, o nome deveria ser mesmo “adoração exagerada”…).

O músico e bispo Zé Bruno, líder da Banda Resgate, já disse uma vez que o atual panorama do meio gospel é composto por gente que busca ser “o melhor dos iguais”. Ou seja, não há criatividade. Não existem pensadores. Poetas ao estilo do rei Davi, do salmista Asaf e de tantos outros, inclusive contemporâneos, estão cada vez mais raros. Onde estão os “Paulo César”, os “João Alexandre”, os “Nelson Bomilcar”?

Vivemos na época das letras pífias, dos acordes clichês, de termos açucarados e vingativos e da linha antropocêntricas. Ninguém mais se ajoelha para orar a Deus e pedir inspiração. É só pegar frases prontas como “Deus é fiel”, “O inferno vai tremer”, “Tua vitória chegou” e torcer para que rimas e métricas sejam perfeitas.

Cantores mimetistas adoram se espelhar em seus ídolos (sim, ídolos!). O jeito de cantar é o mesmo. O timbre é o mesmo. Se vai cantar uma música, o mimetista copia exatamente TUDO o que o artista faz no original, mesmo as situações que foram improvisadas na hora da gravação. Alguns tomam para si até os penteados e, se possível fosse, até faria uma cirurgia para tonar a pigmentação da pele idêntica.

Mimetistas também podem ser observados nos pregadores. Se a igreja compõem uma “franquia” (é sério! ), o pastor segue os trejeitos, as pausas, os ‘golpes de glote’ e o timbre mais aproximado do ‘chefão’. É quase uma lei. Em outros casos, o pregador se espelha em outro de renome e toma para si os gritos, a garganta a arranhada, a gesticulação. É quase um clone do original.

O pior é o mimetismo presente no campo das ideias. É meio paradoxal um mimetista ter ideias, a não ser o brilhantismo em copiar o que já foi feito e ainda assim reivindicar para si a originalidade. E para isso, é um verdadeiro “vale-tudo”. Não importa se é uma festa, uma logo, uma arte para uma camisa ou uma música de trabalho. O mimetista não quer ser superado e procede na imitação só para não ficar por fora.

Agora, o mais “legal”. Mimetistas dificilmente têm Jesus como referência. Não são humildes. Não sabem o que é ter gratidão. São completamente soberbos, se achando o “máximo dos máximos”. O apóstolo Paulo conclamou a igreja de Corinto a imitá-lo, conforme ele imitava a Cristo (I Co 11.1). Mas o apóstolo não queria fomentar o mimetismo. Ele queria dizer que se a igreja lhe tivesse como referência nas boas práticas, nas boas condutas, no companheirismo e amor ao próximo, assim estaria seguindo os preceitos de Jesus.

O importante é salientar que mimetistas não representam a verdade. São cópias de algo. Não há originalidade. Não há autenticidade. Em outras palavras, mimetistas não tem valor algum, pois nada do que fazem pode ser verdadeiro. O fato de se embrenharem em uma batalha por imitar algo, já é indício de que não há bondade em seus corações. Apenas malícia. Logo, mimetistas não passam de uma farsa. Uma mentira. E a mentira não cabe no comportamento cristão. Vivamos a verdade. Sem CRT + C

Por Fábio Cavalcante (@Fabiocbv) – Jornalista, editor-chefe do Portal Universo Gospel e diretor-geral do Universo Gospel Comunicações. E-mail: fabio.cbv@hotmail.com.

Anúncios

Uma opinião sobre “O mimetismo e o mundo gospel”

  1. Republicou isso em JESUS, VIDA & ROCK'N ROLLe comentado:
    Um texto que mostra claramente a que nível estamos no nosso “mundo gospel”! Um grito de alerta e pedido de socorro para que sejamos nós mesmos, conforme a imagem de Deus e Seu Filho Jesus, sem perder a personalidade e individualidade com a qual Ele nos projetou.
    Por favor, cristãos, leiam!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s