O sagrado pelo profano

Bible-Burning1Chover no molhado é dizer que o mundo está em constante transformação. Todo mundo (nós, os cristãos, devíamos ser diferentes) concorda que não se pode mais criar filhos como os pais foram criados. É também mui difundida a ideia de que, em pleno terceiro milênio, não se deve alimentar certos paradigmas de moral e ética. “Coisas do passado”. A ética hoje é outra. O mundo evoluiu e quem não acompanhar essa mudança fica para trás. Transforma-se em “museu”. É “quadrado”.

Mas em meio a tantas evoluções, em meio a tantas mudanças de paradigmas, há de se ter a plena consciência para saber discernir o que é transformação para melhorar a condição de vida da humanidade, haja vista a celeridade do desenvolvimento da ciência, em contraste com o que muda para provocar a degeneração desta mesma humanidade – veja a discussão sobre a criação do clone humano, ideia, aliás, nada nova. Aldous Huxley já preconizava o assunto em seu “Admirável Mundo Novo”, da década de 1930 do século passado.

A quebra de preconceitos é arma bastante eficaz, que vem sendo usada com maestria por Satanás para estabelecer seu reino com força e eficácia, dia após dia. Um exemplo? “O que é isso? Estamos em pleno terceiro milênio. Em meio a tanta ciência e tecnologia, é descabido discriminar o homossexual. Temos que aceitá-lo como ele é. Afinal, todos têm o direito de escolher suas preferências sexuais”. Certo? Nem tanto. Aceitá-lo até é possível. Concordar, aí já são outros quinhentos.

A Bíblia diz que a homossexualidade, antes de um defeito congênito, é conseqüência do pecado do ser humano (Romanos 1:18-28). Bom lembrar que a Organização Mundial de Saúde a descaracterizou como doença congênita. É compreensível que se deva respeitar o direito de escolha, mesmo que torta, da tendência sexual de cada indivíduo. Mas daí a concordar com ela parece um tanto demais. Afinal, a homossexualidade está inserida nos padrões condenáveis à luz da Palavra de Deus.

A homossexualidade é pecado. E como tal, deve ser combatida e não relativizada, conforme querem nos fazer acreditar. É preciso ficar claro que Deus ama o pecador, mas abomina o pecado. Portanto, nem tudo está perdido. A pregação clara de Jesus em seu ministério terreno foi: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Marcos 1:15).

Relativizar o pecado é entregar-se à dissolução e, como conseqüência, à ruína. Foi assim com o Império Romano. Foi assim com o Egito Antigo. Foi assim com Constantinopla. Tudo leva a crer que o fenômeno da derrocada começa a se repetir nos dias atuais com nações consideradas fortes.

Verificando a História, facilmente se constata ser ela farta nos exemplos de grandes potências que caíram quando passaram a contemporizar com o pecado. Divididos por volta do ano 933 antes de Cristo, os reinados teocráticos de Israel e Judá tiveram por bem banalizar o pecado no meio do povo. A gente dos dois reinos – do Norte e do Sul – preferiu deixar de servir ao Deus criador e passou a seguir seus próprios desejos e impulsos. Resultado: tiveram que bater de frente com os sanguinários assírios e babilônios.

Israel e Judá eram o povo de Deus. Mesmo assim, ambos os reinados foram terrivelmente abalados. Isso, por conta da falta de compromisso com o Senhor dos senhores. Preferiram entender e agir como se fossem um povo avançado, que não podia mais seguir as claras e edificantes determinações divinas. Consideravam-nas ultrapassadas para o seu tempo.

Vivemos dias parecidos. Disse Rui Barbosa, em sua cátedra, que chegaria o dia em que o homem teria vergonha de ser honesto. Parece ser esse o contexto em que vivemos. Todos se queixam dos poderosos de Brasília que roubam o erário. Mas os mesmos que fazem tais reclamações dão um “jeitinho” para não pagar tudo aquilo que devem ao Imposto de Renda.

Todos falam da falta de cidadania, ao mesmo tempo em que não têm paciência de esperar o sinal vermelho tornar-se verde no cruzamento. Avançam-no sem escrúpulo nem culpa.

A família é algo que está se tornando supérfluo. Os casamentos de hoje já nascem fadados ao fracasso. “Vou casar. Se não der certo a gente separa”. A ideia preconcebida de desagregação matrimonial está intrínseca nos preparativos das núpcias. Aliás, ela é uma componente importante em todo o contexto, tal como o vestido de noiva. Não pode faltar.

Mas será que é isso que diz a palavra de Deus? Por certo que não. “Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador desde o princípio os fez homem e mulher, e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19: 4-6).

É ledo engano pensar que a Lei 9.278, de maio de 1996, a conhecida Lei do Concumbinato, veio para eliminar de vez o casamento. Na verdade, longe disso, ela trata de união estável para efeito de partilha de bens no caso de separação, seja por contencioso, seja por morte.

É lamentável a constatação de que essa malfadada lei – que contraria preceitos bíblicos, posto que legisla sobre uma situação pecaminosa – esteja levando ao engano tantas pessoas de boa fé. Até mesmo pastores ligados às Convenções Batistas Estaduais e Brasileira. Há casos em que a igreja, interpretando errada e açodadamente a Lei do Concumbinato, aceitou batizar casais que vivem maritalmente, sem que, para isso, tivessem passado pelo preceito sagrado do matrimônio (Hebreus 13:4).

Não é demais, pois, recomendar a todos nós que, antes de interpretarmos ao nosso modo preceitos legais quaisquer que sejam, busquemos os preceitos bíblicos. Sempre embalados pela oração, pois o Espírito Santo se encarregará de nos mostrar o melhor caminho a seguir. E assim, jamais trocaremos o sagrado pelo profano, apesar deste ser mais prazeroso.

* Francisco Espiridião é jornalista e escritor. E-mail: fe.chagas@uol.com.br.

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